Arquivos do Blog

Existem dois jeitos de morrer – Osho

vazio-morteO que acontece na morte? De repente você está perdendo o seu corpo, está perdendo a sua mente. De repente você sente que está se afastando de si mesmo, de tudo o que você acreditava que era você.

É doloroso porque você sente que está submergindo no vazio. Você não estará mais em lugar nenhum, porque viveu identificado com o corpo e com a mente e nunca conheceu nada além disso; nunca se conheceu além do corpo e da mente.

Você ficou tão fixado na periferia e tão obcecado por ela que o centro ficou totalmente esquecido.

Na morte, você tem de se deparar com o fato de que o corpo está partindo; não é mais possível conservá-lo como antes. A mente está deixando você — agora você não tem mais controle sobre ela. O ego está se dissolvendo; você não pode mais nem dizer “Eu”.

Você treme de medo, na beira do nada. Você não existirá mais.

Mas, se você tiver se preparado, se tiver praticado meditação — e preparação significa que você fez tudo o que podia para aproveitar a morte, para aproveitar esse abismo feito de nada — em vez de ser jogado dentro dele, você se preparou para saltar para dentro —, isso faz uma grande diferença.

Se você está sendo empurrado para dentro, de má vontade — você não quer pular e está sendo obrigado —, então é doloroso, existe muita angústia e a angústia é tão intensa que você ficará inconsciente no momento da morte. Assim você não a aproveita.

Mas, se você estiver pronto para saltar, não há angústia. Se você aceitar a morre e lhe der as boas-vindas, sem nenhuma reclamação — em vez disso, você está feliz e celebrando esse momento que chega, e agora pode saltar para fora do seu corpo, que é uma limitação, pode saltar para fora deste corpo que é um confinamento, pode saltar para fora deste ego que sempre foi um sofrimento —, se você conseguir dar as boas-vindas para a morte, então não há nenhuma necessidade de ficar inconsciente.

Se você conseguir aceitá-la, dar-lhe as boas-vindas — o que os budistas chamam de tathata, aceitá-la e não somente isso… Porque a palavra, aceitar, não é muito boa, lá no fundo ela esconde uma não-aceitação — não, se você der as boas-vindas à morte, como se ela fosse uma celebração, um êxtase, como se fosse uma bênção, você não precisa ficar inconsciente.

Se ela é uma bênção, você ficará perfeitamente consciente nesse momento. Lembre-se destas duas coisas: se rejeitá-la, se disser não, você ficará totalmente inconsciente: se aceitá-la, acolhê-la, e disser “Sim” de todo o coração, você ficará perfeitamente consciente.

Dizer “Sim” para a morte deixa você perfeitamente consciente; dizer “Não” para ela deixa você completamente inconsciente — esses são os dois jeitos de morrer.

Osho, em “O Livro do Viver e do Morrer: Celebre a Vida e Também a Morte”
Imagem por Symic

Leia mais: http://www.palavrasdeosho.com/2013/07/mergulhando-no-vazio.html#ixzz2ZhRa2eCn

Anúncios

Cada momento é uma morte e um nascimento

morte-nascimentoO ser humano está sempre em crise. Ele é crise… constante, que não é acidental, mas essencial. O próprio ser das pessoas consiste de crise, daí a ansiedade, a tensão e a angústia.

O ser humano é o único animal que se desenvolve, que se move, que se transforma, que não nasce completo, fechado ou como uma coisa, mas como um processo.

Ele está em aberto, seu ser consiste em tornar-se, e esta é a crise. Quanto mais ele se torna, mais ele é.

O ser humano não pode tomar a si mesmo como algo garantido, do contrário, a pessoa se estagna e vegeta, e a vida desaparece. A vida somente permanece quando a pessoa está se movendo de um lugar a outro; a vida é este movimento entre dois lugares.

Não se pode ficar vivo num só lugar — esta é a diferença entre algo morto e um fenômeno vivo. Uma coisa morta permanece num lugar; ela é estática.

A coisa viva se move — não apenas se move, mas salta, pula. A coisa morta permanece sempre no conhecido, e o fenômeno vivo segue se movendo do conhecido em direção ao desconhecido, do familiar em direção ao não-familiar; esta é a crise. O ser humano é o mais vivo.

Você precisa continuar a se mover. O movimento cria problemas, pois ele significa que você precisa seguir morrendo para aquilo que você conhece, para o passado, que é familiar, confortável e aconchegante. Você o viveu, ganhou experiência, aprendeu muito com ele; agora não há perigo nele; ele se ajusta a você e você se ajusta a ele.

Mas o ser humano precisa se mover, precisa continuar a aventura. Você é uma pessoa somente quando continuamente prossegue nesta aventura — do conhecido ao desconhecido.

A mente se apega ao passado, pois ela é o passado. Mas seu ser deseja ir além do passado, deseja investigar. Seu ser tem um descontentamento intrínseco que eu chamo de descontentamento divino. Tudo que você tem, você consumou isso; tudo que você é, você consumou isso. Você deseja ter aquilo que você não tem e ser aquilo que você não é. O ser humano tateia no escuro à procura de mais ser, de um novo ser, de um ser mais rico.

Não é correto dizer que o ser humano nasce num dia e morre num outro. Isso é verdadeiro em relação aos outros animais, mas não em relação ao ser humano. Animais nascem um dia — eles têm um nascimento — e então um dia morrem. O ser humano está constantemente morrendo e constantemente nascendo.

Cada momento é uma morte e um nascimento. Nele, a morte e o nascimento não são opostos, mas são como duas asas de um pássaro, complementares, uma ajudando a outra.

A morte simplesmente ajuda o nascimento a acontecer. A morte segue limpando o terreno, de tal modo que o passado possa cessar e o futuro possa ser; a morte está a serviço do nascimento.

Na verdade, não está correto chamá-los de dois momentos. Trata-se de um processo visto de dois ângulos diferentes.

É como um portão, de um lado é a entrada e do outro é a saída; ou como a respiração: a mesma respiração entrando é chamada de inspiração e a mesma respiração saindo é chamada de expiração; trata-se da mesma respiração.

A morte é expiração, o nascimento é inspiração. O nascimento é a entrada, a morte é a saída, mas é a mesma energia de vida, a mesma onda.

Osho, em “A Sabedoria das Areias: Discursos Sobre o Sufismo”
Imagem por Andrea Macherelli…
%d blogueiros gostam disto: