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Mario Sergio Cortella – Programa do Jô

Mario Sergio Cortella (1954) é um filósofo, escritor e professor paranaense. É graduado em Filosofia pela Faculdade Nossa Senhora de Medianeira, mestre e doutor em Educação pela PUC-SP. É o criador da série de livros “O que a vida me ensinou”. Ex-monge, a espiritualidade está sempre presente em sua obra.

 

http://mariosergiocortella.blogspot.com.br/

 

ENTREVISTA: FÍSICO QUÂNTICO AMIT GOSWAMI

O Roda Viva entrevista o físico nuclear indiano Amit Goswami, considerado um importante cientista da atualidade, ele tem instigado os meios acadêmicos com sua busca de uma ponte entre a ciência e a espiritualidade. Ele vive nos EUA, é PhD em física quântica e professor titular da Universidade de Física de Oregon. Há mais de 15 anos está envolvido em estudos que buscam construir o ponto de união entre a física quântica e a espiritualidade. Já foi rotulado de místico pela comunidade científica, e acalmou os críticos através de várias publicações técnicas a respeito de suas idéias. Em seu livro “O Universo Auto-Consciente” ele procura demonstrar que o universo é matematicamente inconsistente, e sem existência de um conjunto superior, no caso Deus. E diz que se esses estudos se desenvolverem, logo no início do terceiro milênio, Deus será objeto da ciência e não mais da religião.

 

Tornar-nos aquilo que realmente somos

“O homem é solicitado a fazer de si mesmo aquilo em que deveria tornar-se, para realizar seu destino”. (Paul Tillich)

O conceito de que cada um de nós tem uma ordem primordial de potencialidades ansiando por realização é muito antigo. Santo Agostinho escreveu que “há alguém dentro de mim que é mais do que eu mesmo”. Aristóteles usou a palavra intelecto para se referir à evolução e ao completo desabrochar de algo originalmente em estado potencial. Junto com intelecto, Aristóteles também falou de essência como qualidade que não se pode desperdiçar sem deixar de ser si-mesmo. Da mesma maneira, a filosofia oriental aplica o termo dharma para designar a identidade intrínseca e a latente forma de vida presente em nós todos desde o nascimento. É dharma da mosca zumbir, do leão rugir e de um artista criar. Cada uma destas formas tem sua própria espécie de verdade e de dignidade.

A moderna psicologia atribui diversos nomes à eterna questão de “ser aquilo que se é realmente” – o processo de individuação, a auto-realização, auto-atualização, autodesenvolvimento, etc. Seja qual for o rótulo que receba, o sentido oculto está claro: todos nós possuímos certos potenciais e capacidades intrínsecas. O que há a mais, em algum lugar dentro de  nós, é um conhecimento primordial ou uma percepção pré-consciente de nossa verdadeira natureza, de nosso destino, de nossas habilidades e de nossa assim chamada vida. Não é só aquilo que temos de passar na vida, mas, num nível instintivo, aquilo que sabemos que a vida é.

Nossa realização, felicidade e bem-estar dependem de descobrirmos este modelo e de cooperarmos com a sua realização. O filósofo dinamarquês Kierkegaard observou que a forma mais comum de desespero é aquela de não sermos aquilo que realmente somos, acrescentando que uma forma mais profunda de desespero aparece quando se escolhe ser outro que não nós mesmos. O psicólogo Rollo May escreveu: “Quando a pessoa nega suas potencialidades e falha em realizá-las, sua condição é de culpa”. Teólogos interpretaram o quarto pecado capital, a preguiça ou accidia, como “o pecado de falhar ao fazer de nossa vida aquilo que sabemos que poderíamos fazer dela”.

Nossa existência não é só dada a nós, mas cobrada de nós, e cabe a nós fazer de nós mesmos aquilo para o que fomos destinados. Enfim, só nós mesmos somos responsáveis por aquilo que fazemos com a nossa vida, pelo grau com que aceitamos ou rejeitamos nossa verdadeira natureza, seu propósito e sua identidade.

Fonte: Do livro As Doze Casas de Howard Sasportas

Um Pouco de Filosofia – Iluminismo por Kant

Iluminismo é, para sintetizar, uma atitude geral de pensamento e de ação. Os iluministas admitiam que os seres humanos estão em condição de tornar este mundo um mundo melhor – mediante introspecção, livre exercício das capacidades humanas e do engajamento político-social.[4] Immanuel Kant, um dos mais conhecidos expoentes do pensamento iluminista, num texto escrito precisamente como resposta à questão:

O que é o Iluminismo?  KANT responde:

O Iluminismo representa a saída dos seres humanos de uma tutelagem que estes mesmos se impuseram a si. Tutelados são aqueles que se encontram incapazes de fazer uso da própria razão independentemente da direção de outrem. É-se culpado da própria tutelagem quando esta resulta não de uma deficiência do entendimento mas da falta de resolução e coragem para se fazer uso do entendimento independentemente da direção de outrem. Sapere aude! Tem coragem para fazer uso da tua própria razão! – esse é o lema do Iluminismo

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