Os dois reinos da iluminação (Osho)

Osho
Permaneça com a pergunta – alerta, consciente, não buscando, não tentando encontrar uma resposta. Por mais difícil que isto seja, você pode fazê-lo. Pode ser feito. Eu o fiz. E todos aqueles que dissolveram suas perguntas o fizeram. A própria consciência, o fogo da consciência, queima a questão. E não é que você receberá uma resposta. Ninguém jamais recebeu alguma resposta. Se você permanecer com a pergunta, pouco a pouco a pergunta desaparecerá. Certo dia, de repente, você descobre que está ali, e a pergunta não está. Você está ali sem uma pergunta. Essa é a resposta. Você, sem uma pergunta, é a resposta.

Faça a pergunta básica, a pergunta mais fundamental: “Quem sou eu?”


Quem? Deixe a sua consciência penetrar nela, como uma seta que vai penetrando cada vez mais fundo. E não tenha pressa de encontrar a resposta – porque a mente é astuta. Se você estiver com pressa, impaciente, a mente pode lhe proporcionar uma resposta. A mente pode citar os livros sagrados; ela é o demônio! Ela pode dizer: “Sim, você é um deus, você é pura consciência, você é a verdade fundamental, uma alma eterna, um ser imortal”. Essas respostas podem destruir sua própria busca. Um buscador tem de estar alerta para as respostas prontas. Elas estão disponíveis; de todos os lados elas estão sendo apresentadas a você.

A existência é tão vasta, tão misteriosa… E é bom que seja assim. Não é possível haver respostas porque a vida é um mistério. Se houvesse alguma resposta, a vida não seria um mistério. Pense apenas no infortúnio que seria se você tivesse conseguido encontrar a resposta. Então a vida não valeria a pena; então viver não teria nenhum significado. Como você não consegue encontrar a resposta, a vida continua tendo um significado infinito. Deus não é a resposta; a divindade é o estado de espírito em que a pergunta desapareceu. A divindade é o estado de não mente.

Não fique preocupado, porque o que pode desaparecer merece desaparecer. Não tem sentido se agarrar a isso, a algo que não é seu. Você é você quando o falso se foi e o ser novo – inocente, despoluído – surge em seu lugar. Ninguém pode responder à sua pergunta “Quem sou eu?” – apenas você vai saber.

E quando a pergunta desaparece, você não consegue dizer quem você é, mas você sabe. Isso não é conhecimento; é um saber. Você não pode responder, mas você sabe. Você pode dançá-la, mas não pode responder a ela. Você pode sorrí-la, mas não pode responder a ela. Você vai vivenciá-la, mas não pode responder a ela.

Se todas as suas perguntas puderem ser eliminadas… Escute atentamente o que eu estou dizendo: Se todas as suas perguntas puderem ser eliminadas, sua ignorância estará prestes a desaparecer, e o que permanece é a inocência. E a inocência é uma luz em si mesma.

Nessa inocência você não conhece nenhuma pergunta, nenhuma resposta, porque todo o reino das perguntas e respostas é deixado para trás. Tornou-se irrelevante, você o transcendeu. Você está puro de perguntas e puro de respostas. Esse estado é iluminação. E, se você for suficientemente corajoso, pode até mesmo ir além dele.

Ele vai lhe proporcionar todas as belas experiências descritas pelos místicos ao longo dos tempos: seu coração vai dançar em êxtase, todo o seu ser vai se tornar um belo nascer do sol… milhares de lótus vão florescer em você.

Se você quiser, pode fazer o seu lar neste ponto.

No passado as pessoas paravam aqui, porque onde você consegue encontrar um lugar melhor? Gautama – o Buda, chamou este lugar de “Paraíso de Lótus”.

Mas se você for um buscador nato…

Vou lhe sugerir que faça um pequeno descanso, desfrute de todas as belezas da iluminação, mas não faça disso um ponto final. Vá além, porque a vida, sua jornada, é interminável, e muita coisa absolutamente indescritível ainda vai acontecer.

A experiência da iluminação também é indescritível, mas tem sido descrita por todos que a experienciaram. Todos dizem que ela é indescritível, mas ainda assim a descrevem – que ela é repleta de luz, que é repleta de alegria, que é o máximo em termos de bem-aventurança. Se isso não é uma descrição, então o que é descrição?

Esta é a primeira vez que estou dizendo isso: durante milhares de anos as pessoas que se tornaram iluminadas vêm dizendo que essa é uma experiência que não pode ser descrita, e ao mesmo tempo a têm descrito, têm passado a vida a cantá-la. Mas além da iluminação você certamente entra em um mundo que é indescritível. Porque na iluminação você ainda está presente; do contrário, quem está sentindo a bem-aventurança, quem está vendo a luz? Kabir diz: “…como se milhares de sóis houvessem nascido”. Quem está vendo isso?

A iluminação é a experiência máxima – mas ainda assim é experiência, e a experiência está ali. Indo além dela, não há mais experienciador. Você se dissolve.

Sua separação da existência é a única questão que tem de ser resolvida. Além da iluminação, você perde suas fronteiras, você não existe mais. Quem estaria ali para experienciar?

Você precisa de uma tremenda coragem para abandonar seu ego e atingir a iluminação. Você vai precisar de um milhão de vezes mais coragem para abandonar a si mesmo e atingir o que está além – e o que está além é o real.

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Publicado em 02/01/2012, em Espiritualidade, Filosofia, Osho, Teosofia e marcado como . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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