O dever do verdadeiro ocultista para com as religiões

“A humanidade é como um triste rebanho de Panúrgio, que acompanha cegamente o pastor que no momento o conduz.
A humanidade – a maioria pelo menos – detesta pensar por si mesma; e toma como insulto um simples apelo para sair dos velhos caminhos batidos e, a seu próprio juízo, enveredar por outras sendas em busca de novas metas.”


“O estudante de ocultismo não deve pertencer a nenhum credo ou seita especial; cumpre-lhe, no entanto, manifestar o maior respeito por todas as crenças e religiões, se aspira a tornar-se um Adepto da Boa Lei. Não se deve aprisionar nem pelo preconceito nem pelas opiniões sectárias, sejam quais forem; terá que formar suas próprias convicções e chegar a conclusões próprias, valendo-se das regras e métodos de verificação que lhe proporciona a Ciência a cujo estudo se consagrou.

Deste modo, se o ocultista, por exemplo, segue o Budismo e considera Gautama Buddha como o maior Adepto que já existiu, como a encarnação do amor isento de egoísmo, da infinita caridade e da moral puríssima, também ele verá a Jesus sob o mesmo jorro de luz, proclamando-o outra encarnação das virtudes divinas. Venerará a memória do grande mártir, ainda quando não o reconheça como o Deus Único e Supremo feito homem na terra e o “Verdadeiro Deus dos Deuses” no céu. Amará o homem ideal por suas virtudes pessoais, e não por causa dos louvores de antigos fanáticos e sonhadores, nem das sutilezas calculistas dos dogmas teológicos. Admitirá também a maioria dos “milagres declarados”, explicando-os de conformidade com as regras de sua Ciência e o seu próprio critério psíquico. Negando a esses fatos o nome de “milagres” – na acepção teológica de sucessos contrários às leis da Natureza – verá neles apenas uma diversificação das leis até então conhecidas pela Ciência, o que é coisa bem distinta. Por outro lado, o ocultista, considerando os aspectos de certos casos referidos nos Evangelhos, estejam ou não comprovados, incluirá muitos deles entre os de boa magia ou magia divina; e terá razão em classificar alguns outros como simplesmente alegóricos – tal, por exemplo, o da expulsão de demônios de uma manada de porcos – julgando-os prejudiciais à verdadeira fé, se tomados ao pé da letra. Essa a atitude do ocultista genuíno e imparcial. Neste particular, até mesmo os muçulmanos fanáticos, que vêem em Jesus de Nazaré um grande profeta, e demonstram respeito para com Ele, dão com isso uma admirável lição de caridade aos cristãos, quando estes admitem e ensinam que “a tolerância religiosa é ímpia e absurda”, nunca se referindo ao profeta do Islã senão para qualificá-lo de “falso profeta”.”

(Lição extraída do livro V da Doutrina Secreta de HPB)

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Publicado em 06/20/2011, em Teosofia. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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