Parar em algum lugar do meio

Sempre que alguém diz que está desesperançado, está dizendo, na verdade, que ainda se apega à mesma esperança que se mostrou fútil, da cuja concretização não há o menor indício. A pessoa se apega a ela, esperando, embora a esperança seja inútil. E assim a desesperança continua.

Não espere coisa alguma. Não há necessidade de esperar, porque tudo que você pode esperar já lhe foi dado. O que mais poderia esperar?

Você está aqui, tudo está aqui — o mero existir já basta. Mas você não reconhece, quer um rato morto, uma viagem do ego, algum sucesso aos olhos do mundo. Esse sucesso não virá; até os Alexandres fracassaram.

O próprio Alexandre morreu pobre, um mendigo, porque tudo que se acumula é tirado da pessoa — ela parte de mãos vazias. De mãos vazias você vem, e de mãos vazias vai.

Então, para que se incomodar com sucesso, riqueza, poder — material ou espiritual? Apenas seja… E ser é o maior dos milagres. Volte-se para dentro de si mesmo — o que Buda chama de parabvrutti. Dê uma volta completa para dentro de si, uma volta total, e de repente estará cheio de alegria, não precisará de nada. Na verdade, você terá tanto que vai querer fazer jorrar sobre os outros.

Mas as coisas continuam se movendo de um extremo a outro. Você espera — o pêndulo, devagar, se move na direção da desesperança. Se você é apaixonado demais pela vida, aos poucos se aproxima do suicídio. Se é religioso demais, aos poucos se torna anti-religioso. O pêndulo se move na direção oposta.

Você tem que parar em algum lugar do meio. Se parar no meio, o tempo para com você. E, quando o tempo para, toda a esperança e todos os desejos param também. Você começa a viver. Agora, agora é o único tempo e aqui é o único espaço.

Osho, em “A Música Mais Antiga do Universo”
Imagem por Joe Buckingham
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Publicado em 04/07/2011, em Espiritualidade, Osho e marcado como . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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