Jonestown

O Buraco Negro da Guiana

A História não contada do Massacre de Jonestown

 

de John Judge

1985

 

Você conhece a versão oficial

Uma fanático líder religioso da Califórnia liderou uma comunidade multirracial pelas selvas da remota Guiana, para estabelecer uma utopia socialista. O Templo do Povo, a igreja dele, estava no coração de San Francisco e atraia pobres, ativistas sociais, negro e hispânicos, jovens e velhos. A mensagem era de harmonia racial e justiça, crítica da hipocrisia do mundo ao redor de seus seguidores.

 

O Templo cresceu no vácuo de liderança ao fim de uma era. As confrontações políticas da década de 1960 estavam quase que acabadas, e os cultos religiosos e a “transformação pessoal” estavam em crise. Aqueles que haviam pregado uma mensagem similar na caixa de sopa política, tinham ido embora, se desgastado, desacreditados ou mortos. A contra cultura tinha aparentemente degenerado em drogas e violência. Charlie Manson era a única imagem visível do período. De repente, a religião pareceu oferecer a última esperança.

Antes deles partirem para o local de Jonestown, os membros do Templo do Povo foram submetidos a um escândalo local no noticiário. Seu líder, Jim Jones, afirmou que estas exposições eram ataques a religião recentemente fundada deles, e os utilizou como desculpa para mudar a maioria dos membros para a Guiana. Mas os relatos pertuubadores continuaram a cercar Jones, e logo chegaram à atenção de membros congressistas como Leo Ryan. Histórias de espancamentos, rapto, abuso sexual e mortes misteriosas vazaram para a imprensa. Ryan decidiu ir à Guiana e ele próprio investigar a situação. O pesadelo começou.

 

Isolado em uma pequena pista aérea em Port Kaituma, Ryan e vários repórteres no grupo dele foram assassinados. Então veio a quase inacreditável “Noite Branca”, um pacto de suicídio em massa no campo de Jonestown. Uma comunidade composta principalmente de Negros e mulheres bebeu cianeto em copos de papel de Kool-Aid, adultos e crianças igualmente morreram e caíram ao redor do pavilhão principal. O próprio Jones recebeu um tiro na cabeça, um aparente suicídio. Por dias, a contagem de corpos subia, de 400 a aproximadamente 1.000. Os corpos eram enviados por via aérea para os EUA e mais tarde cremados ou enterrados em túmulos coletivos.

 

O membro do Templo Larry Layton ainda entá enfrentando acusações de conspiração no assassinato de Ryan. Ryan foi recentemente premiado com uma medalha póstuma de honra, e foi o primeiro membro do Congreso a morer no cumprimento do dever.

 

Pete Hammill chamou aos cadáveres: “todos a mudança frouxa dos anos 60″. O efeito foi elétrico. Qualquer alternativa para o sistema atual era vista como fútil, senão mortal. Os protetos apenas levam a motins com a polícia e a assassinatos políticos. Estilos de vida alternativos e as drogas levaram a comunas alarmantes e assassinatos violentos. E experimentos religosos levaram a cultos e suicídio. As utopias sociais eram sonhos que se tornavam pesadelos. A televisão nos estimulava a retornar aos “dias felizes” da década de 1950, apolítica. A mensagem era, arrume um emprego e volte a igreja. A ameaça nuclear gerava apenas nihilismo e desesperança. Não havia resposta senão a morte, nenhuma saída para um futuro sombrio. A nova ética era o sucesso pessoal, a aeróbica, o consumo material e uma volta aos valores americanos, a maioria moral do mundo cristão branco. A mensagem oficial era clara.

 

Mas apenas que isto não aconteceu deste modo…

 

As manchetes do dia do massacre dissseram: “Culto morre na selva da America do Sul: 400 pesoas morrem em um suicídio em massa, 700 fogem para a selva.” Mas todas as contagens da imprensa, bem como declarações de pessoas do Templo do Povo é que haviam ao menos 1.100 pessoas em Jonestown. Foram encontrados lá 809 passaportes de adultos e relatos de 300 crianças (276 encontradas entre os mortos, e 210 nunca identificadas). A estatísticas do primeiro dia mostravam o mesmo número:1.100. A contagem original de corpos feitas pelos guianeses foi de 408, e esta estatística concordava inicialmente com as autoridades americanas do Exército no local. Contudo, nos dias seguintes, os total relatado de mortos subiu rapidamente. O Exército fez uma série de declarações abertamente enganosas e falas sobre a discrepância. O novo total, que foi a contagem oficial final, foi dado quase que uma semana depois pelas autoridades americanas como 913.Um total de 16 sobreviventes foi relatado haver retornado aos EUA. Onde estavam os outros?

 

Na sua primeira conferência de imprensa, os americanos declararam que os guianeses “não podiam contar”. Estas pessoas locais tinha desempenhado a horrível tarefa de contar os corpos, e mais tarde auxiliaram as tropas americanas no processo de puncionar a carne para expelir os gases da decomposição. Então os americanos propuseram uma outra teoria – eles tinham deixado de ver a pilha de corpos na parte de trás do pavilhão. A estrutura era do tamanho de uma casa pequena e eles tinham estado na cena por dias. Finalmente, recebemos a razão oficial para a discrepância – os corpos haviam caido sobre outros corpos, os adultos cobrindo as crianças.

 

Era a simples aritmética mórbida que levou às primeiras suspeitas. Os 408 corpos que foram descobertos na primeira contagem, foram capazes de cobrir mais de 505 corpos para obter um total de 913. Além disso, aqueles que primeiro trabalharam nos corpos improvavelmente teriam perdido os corpos jazendo debaixo de outros já que cada corpo havia sido perfurado. 82 dos corpos inicialmente contados eram de crianças, reduzindo o número que poderia estar oculto por baixo. A pesquisa de aproximadamente 150 fotografias, aéreas e closes, deixam de mostrar até mesmo um corpo caído sobre outros, muito menos de 500.

 

Parecia que os primeiros relatos eram verdadeiros, 400 tinham morrido e 700 haviam fugido para as selvas. As autoridades americanas afirmaram ter procurado as pessoas que haviam escapado, mas não encontrou evidência nas áreas circunvizinhas. Ao menos uma centena de soldados guianeses estavam entre os primeiros a chegarem, e eles ordenaram as buscas por sobreviventes. Na área, ao mesmo tempo, soldados britânicos “Black Watch” estavam em “exercícios de treinamento”, com aproximadamente 600 de seus comandos mais bem treinados. Logo, os Boinas Verdes americanos também estavam no local. A presença destes soldados, especialmente treinados em operações encobertas de assassinato, pode explicar os números crescentes de corpos que apareceram.

 

A maior parte das fotografias mostra os corpos em uma fila certa, de rosto para baixo. Há poucas exceções. Tomadas em close indicam marcas de arrastamento, bem como que os corpos foram posicionados por alguém, depois de mortos. É possível que os 700 que fugiram fossem cercados por estes soldados, trazidos de volta a Jonestown e adicionados a conntagem dos corpos?

 

Se assim for, os corpos indicariam a causa da morte. Uma nova palavra foi criada pela media, “suicídio-assassino”. Mas o que foi isto? As autópsias e a ciência forense são uma arte em desenvolvimento. Os detetives da morte usam uma variedade de métodos científicos e pistas para determinar como pessoas morrem, e a causa específica da morte. Dr. Mootoo, o principal patologista guianense, foi a Jonestown dentro de horas depois do massacre. Recusando a assistência de patologistas americanos, ele acompanhou as equipes que contavam os mortos, examinou os corpos, e trabalhou para identificar os mortos. Enquanto a imprensa americana gritava sobre os “suicídios Kool-Aid,” Dr. Mootoo estava chegando a uma opinião muito diferente.

 

Há certos sinais que mostram os tipos de veneno que levam ao término da vida. O cianeto bloqueia as mensagens do cérebro aos músculos ao mudar a química do corpo no sistema nervoso central. Até mesmo as funções involuntárias, como respirar e os batimentos cardíacos obtém sinais misturados neurais. É uma morte dolorosa, a respiração vindo em arranques. Os outros músculos sofrem espasmos e as pernas se trançam e se contorcem. Os músculos faciais se retraem em um sorriso forçado, chamado “ritus do cianeto”. Todos estes são sinais indicativos estavam ausentes nos mortos de Jonestown. As pernas estavam soltas e relaxadas, e a face não apresentava sinais de distorção.

 

Ao invés, o Dr. Mootoo encontrou marcas recentes de agulhas na parte de trás das omoplatas esquerdas de 80 a 90% das vítimas. Outras tinham sido mortas a tiros ou estranguladas. Um sobrevivente narrou que aqueles que resistiam eram forçados por guardas armados. A arma que foi relatada ter matado Jim Jones foi encontrada a aproximadamente 60,965 metros de seu corpo, assim não sendo uma arma provável de um suicídio. Como Chefe Examinador Médico, o testemnho do Dr, Mootoo ao grande juri guianense que investigou Jonestown levou a conclusão deles que todas, menas três das pessoas, foram assassinadas por “pessoas desconhecidas”. Eles disseram que apenas duas haviam cometido suicídio. Várias fotografias de corpos apresentavam ferimentos a tiro. O portavoz do Exército americano, Tenente Coronel Schuler, disse, “Autópsias não são necessárias. A causa da morte não é a questão aqui.”. Os médicos forenses que mais tarde realizaram autópsias em Dover, Delaware, nunca tomaram ciência das descobertas do Dr. Mootoo.

 

Há outras indicações de que o governo guianense participou com as autoridades americanas em um acobertamento da história verdadeira, a despeito de suas próprias descobertas. Um bom exemplo foi o Chefe da Polícia Guianesa Lloyd Barker, que interferiu com as investigações, ajudando a “recuperar” 2.5 milhões de dólares para o governo guianense, e foi frequentemente o primeiro a oficialmente anunciar as histórias de acobertamento relacionadas a suicídio, contagens de corpos e sobreviventes. Entre os primeiros na cena estavam a mulher do Primeiro Ministro guianês Forbes Burnham e o vice Primeiro Ministro, Ptolemy Reid. Eles voltaram do local do massacre com aproximadamente um milhão de dólares em dinheiro, ouro e jóias retirados das construções e dos mortos. Inexplicavelmente, um dos secretários do partido político de Burnham tinha visitado o local do massacre apenas horas antes que ele ocorresse. Quando Shirley Field Ridley, a Ministra de Informação da Guiana, anunciou a mudança na contagem de corpos para o chocado parlamento guianês, ela se recusou a responder perguntas posteriores. Outros representante começaram a apontar um dedo de vergonha para Ridley e o governo de Burnham, e a imprensa local apelidou o escândalo de “Templegate.” Todos acusaram a eles de receberem um vultuoso pagamento.

 

Talvez mais significativamente, os americanos compraram 16 enormes aviões de carga C-131, mas afirmaram que só podiam transportar 36 ataúdes em cada um. Estes aviões podem transportar tanques de guerra, caminhões e munições, tudo em uma só carga. Na cena, os corpos eram desnudos e sem identificação, incluindo as tiras médicas de pulso visíveis nas fotos iniciais. As operações durante a guerra do Vietnã demonstraram claramente que os americanos eram capazes de transportar centenas de corpos em um curto período. Ao invés, demorou aproximadamente uma semana para trazer de volta os mortos de Jonestown, trazendo a maioria no fim do período. Os cadáveres, apodrecendo devido ao calor, tornaram a autópsia impossível. Em um ponto, os restos de 183 pessoas chegaram em 82 ataúdes. Embora os guianeses tivesem identificado 174 corpos no local, somente 17 [mais tarde 46] foram identificados por tentativa no maciço mortuário militar em Dover, Delaware.

 

Isolados lá, a centenas de milhas de suas famílias, que poderiam ter visitado os corpos em um mortuário similar em Oakland que foi usado durante a guerra do Vietnã, muitos dos mortos foram cremados. A imprensa foi excluída e até mesmo membros da família tinham dificuldade de ter acesso aos restos mortais. Oficiais do Estado de New Jersey começaram a se queixar que os legistas estaduais foram excluídos e que os legistas militares indicados estavam ilegalmente realizando cremações. Um dos principais especialistas forenses na identificação de corpos, que mais tarde foi trazido para trabalhar nas baixas do raid iraniano, fez repedidas solicitações para auxiliar, mas tudo lhe foi negado. Em dezembro, o Presidente da Associação Nacional de Examinadores Médicos se queixou em uma carta aberta aos militares americanos que eles “estragaram muito” os procedimentos, e que uma simples autópsia do fluido nunca foi realizada no ponto da descoberta. A decomposição, embalsamamento e cremação tornaram impossível o trabalho forense posterior. O método não ortodoxo de identificação utilizado, remover a pele da ponta do dedo e coloca-la sobre um dedo enluvado, não teria sido tolerado na côrte.

 

A longa demora tornou impossível a reconstrução do evento. Como notado, estes médicos militares não estavam cientes das conclusões do Dr. Mootoo. Vários especialistas civis em patologia disseram que “eles estremeceram na inépcia” dos militares e que o método deles de autópsia era ‘um retrocesso”. Mas nas declarações oficiais, os EUA tentaram desacreditar as descobertas do grande juri da Guiana, dizendo terem descoberto “novos fatos”.

 

As tropas guianenses e a polícia que tinham chegado com o funcionátio da Embaixada Americana Richard Dwyer, também falharam em defender o congressista Leo Ryan e outros que vieram a Guiana com ele, quando eles foram baleados a sangue frio na pista aérea de Port Kaituma, até mesmo embora os soldados estivessem próximos com metralhadoras de prontidão. Embora o membro do Templo Larry Layton tenha sido acusado entre os assassinos do Congressista Ryan, a desertora do Templo Patricia Parks, e os repórteres de imprensa Greg Robinson, Don Harris e Bob Brown, ele não estava na posição de atirar neles. Bloqueado de abordar o bimotor Otter de Ryan, ele tinha entrado em outro avião próximo. Já lá dentro, ele sacou uma arma e feriu dois seguidores do Templo, antes de ser desarmado. Os outros claramentw foram mortos por homens armados que sairam de um trailer trator na cena, depois de abrirem fogo. As testemunhas descreveram estes homens como “zumbis”, andando mecanicamente, sem emoção e “olhando para você como se não fosse você” na medida em que matavam. Somente certas pessoas eram mortas e a seleção foi claramente planejada. Certas pessoas feridas, como o auxiliar de Ryan, Jackie Speiers, não foram feridas posteriormente, mas os assassinos se asseguraram de que Ryan e os jornalistas estivessem mortos. Em alguns casos eles atiraram em pessoas que já estavam feridas, diretamente na cabeça. Estes atiradores nunca foram identificados e podem ter estado sob o comando de Layton. Eles podem não ter estado entre os mortos de Jonestown.

 

Em Jonestown, os sobreviventes descreveram um grupo especial de seguidores de Jones que tinham permissão para portar armas e dinheiro, e entravam e saiam do campo. Todas estas pessoas eram brancas e a maioria era de homens. Eles comiam melhor e trabalhavam menos do que os outros, servindo como guarda armada para fazer cumprir a disciplina , controlar o trabalho e restringir os movimentos. Entre eles estavam os principais “tenentes” de Jones, incluindo George Phillip Blakey. Blakey e outros visitavam regularmente Georgetown, Guiana e faziam viagens em seu barco marítimo, o Cudjoe. Ele foi privilegiado de estar a bordo quando ocorreram os assassinatos. Esta guarda especial armada sobreviveu ao massacre. Muitos eram assassinos programados e treinados, como os “zumbis” que atacaram Ryan.Alguns foram usados como mercenários na África e em outros lugares. Os mortos eram 90% mulheres e 80% negros. É improvável que homens armados com revólveres e arcos modernos pudessem ceder o controle e serem injetados com o veneno. É muito mais provável que eles tenham forçado aproximadamente 400 pessoas a receberem injeções e auxiliaram na morte dos outros 500 que tentaram escapar. Um sobrevivente claramente ouviu as pessoas comemorando 45 minutos depois do massacre. A despeito das declarações do governo, eles não foram responsabilizados, nem sua localização é conhecida.

 

De volta a Califórnia, os membros do “Templo do Povo” abertamente admitiram que temiam serem alvejados por um “esquadrão de tiros”, e o Templo foi cercado por algum tempo por forças policiais. Durante este período, dois membros da guarda de elite de Jonestown voltaram e tiveram permissão para entrar no Templo, dada pela polícia. Os sobreviventes que viajaram para Port Kaituma com Leo Ryan se queixaram quando Larry Layton abordou o caminhão, “Ele não é um de nós.” Os rumores também persistiram de que uma “lista dos mortos” de agentes americanos existisse, e alguns sobreviventes verificaram em testemunho ao grande juri de San Francisco. Um ajudante do congreso foi citado na AP em 19 de maio de 1979, “Há 120 assassinos brancos e com lavagem cerebral de Jonestown esperando a palavra que desencadeia voltar a ação.”

 

Outros sobreviventes incluíram Mark Lane e Charles Garry, advogados do “Templo do Povo” que de alguma forma conseguiram escapar do massacre. Além dos 16 que oficialmente voltaram com o grupo de Ryan, outros conseguiram alcançar Georgetown e voltaram para casa. Contudo, tem havido contínuas suspeitas dos assassinos destas pessoas aqui. Jeannie e Al Mills, que pretendiam escrever um livro sobre Jones, foram assassinados em casa, amarrados e mortos a tiros. Alguma evidência indica uma ligação entre a Operação de Jonestown e os assassinos do Prefeito Moscone e Harvey Milk pelo agente de polícia Dan White. Um outro sobrevivente de Jonestown recebeu um tiro perto de sua casa em Detroit por assassinos não identificados. Ainda que um outro estivesse envolvido em um assassinato em massa de crianças de escola em Los Angeles. Ninguém que sobreviveu a uma matança tão maciça deve ser de alguma forma suspeito. O fato que a imprensa nunca até mesmo tenha falado sobre os aproximados 200 sobreviventes, levanta sérias dúvidas.

 

Quem era Jim Jones?

 

Em ordem de entender os estranhos eventos que cercam Jonestown, devemos começar com uma história das pessoas envolvidas. A história oficial de um religioso fanático e seus seguidores idealistas não faz sentido à luz da evidência do assassinatos, assassinos armados e acobertamento de autópsias. Se isto tivesse acontecido do modo que nos contaram, não haveria razão para tentar esconder os fatos do público, e uma investigação completa sobre as mortes de Jonestown, e o assassinato de Leo Ryan teriam sido bem recebidos. O que aconteceu novamente é algo mais.

 

Jim Jones cresceu em Lynn, no sul de Indiana. Seu pai era um membro ativo da Ku Klux Klan local que infesta a área. Seus amigos o sentiam um pouco estranho, e ele estava interessado em pregar a Bíblia e em rituais religiosos. Talvez mais importante na sua infância tenha sido a sua amizade com Dan Mitrione, confirmada pelos residentes locais. No início da década de 1950, Jones decidiu ser um ministro religioso e foi ordenado naquele tempo por uma denominação cristã em Indianapolis. Foi durante este período que ele se encontrou e se casou com sua esposa de muito tempo, Marceline. Ele também tinha um pequeno negócio de vender macacos, comprados de um departamento de pesquisa na Universidade Estadual de Indiana em Bloomington.

 

Um fundamentalista bíblico e curador pela fé, Jones colocou uma tenda de shows revivalistas na área e trabalho perto de Richmond, Indiana. Mitrione, seu amigo, trabalhava como chefe de polícia lá e impedia que ele fosse preso ou expulso do local. Segundo pessoas próximas a ele, ele usava fígados úmidos de galinha como evidência do câncer que ele estava removendo pelos “poderes divinos”. Sua proprietária o chamou de “um gangster que usava uma Bíblia em lugar de uma arma”. Seus seguidores de igreja incluiam Charles Beikman, um Boina Verde que esteve com ele até o fim. Beikman mais tarde foi acusado de assassinatos de vários membros do Templo em Georgetown, depois do massacre.

 

Dan Mitrione, o amigo de Jones, se mudou para a Academia Internacional de Polícia patrocinada pela CIA, onde os policiais eram treinados em técnicas de contra insurgência e tortura para o mundo. Jones, um pobre pregador itinerante, repentinamente tinha dinheiro para uma viagem como “ministro” ao Brasil, e ele levou sua família com ele. Por este tenho, ele havia adotado uma oitava criança, Beikman, mestiça.Seus vizinhos no Brasil desconfiavam dele. Ele disse a eles que trabalhava com a inteligência da marinha americana, Seu transporte e vegetais eram fornecidos pela embaixada americana para a grande casa onde ele morava. Seu filho, Stephan, comentou que ele fez viagens regulares a Belo Horizonte, local do quartel general da CIA no Brasil. Um conselheiro da política americana, trabalhando naquele tempo extritamente com a CIA, Dan Mitrione estava lá também. Mitrione tinha subido rapidamente nos escalões e estava ocupado treinando a polícia estrangeira em métodos de tortura e assassinato. Ele mais tarde foi raptado pelas guerrilhas dos Tupamaros no Uruguai, interrogado e assassinado. Costa Gravas fez um filme sobre sua morte intitulado “Estado de Cerco”. Jones voltou aos EUA em 1963, com dez mil dólares em seu bolso. Artigos recentes indicam que o clérigo católico estava se queixando sobre a CIA custear outras denominações para “ministros” no Brasil; talvez Jones tenha sido um exemplo inicial.

 

Com sua nova riqueza, Jones foi capaz de viajar para Califórnia e estabelecer o primeiro “Templo do Povo” em Ukiah, Califórnia, em 1965. Guardado por cães, cercas elétricas e torres de guarda, ele criou a Casa de Repouso Céus Felizes. A despeito da falta de pessoal especializado, ou de licença apropriada, Jones levou muitas pessoas ao campo. Ele tinha idosos, prisioneiros, pessoas vindas de instituições psiquiátricas e 150 crianças adotivas, frequentemente transferidas aos cuidados de Céus Felizes por ordens judiciais. Lá ele foi contactado por missionários da World Watch [Visão Mundial], uma ordem internacional evangélica que tinha feito trabalho de espionagem para a CIA no sudeste asiático. Ele conheceu membros influentes” da comunidade e ficou amigo de Walter Heady, o líder da seção local da Sociedade John Birch. Ele usava os membros de sua “igreja” para organizar direções locais de votação para a eleição de Richard Nixon, e trabalhava estreitamente com o partido republicano. Ele foi indicado para presidente do grande juri do condado.

 

“O Messias de Ukiah,” como ele era então conhecido, se encontrou e recrutou Timothy Stoen, um graduado de Stanford e membro do escritório do DA na cidade, e sua esposa Grace. Durante este tempo, a família Layton, Terri Buford e George Phillip Blakey e outros membros importantes se uniram ao Templo. O “médico” do campo,” Larry Schacht, afirma que Jones o livrou das drogas e o fez entrar para a faculdade de medicina, neste período. Não havia apenas “filhotes das ruas”. O pai de Buford foi um comandante da frota da base naval da Filadélfia, por anos. Os Laytons eram uma família aristocrática. O Dr. Layton doou ao menos 250 mil dólares para Jones. A esposa dele e a filha eram todos membros do Templo. George Blakey, que se casou com Debbie Layton, era de uma rica família britânica. Ele pagou os sessenta mil dólares do arrendamento dos 27 mil acres de terra do local na Guiana em 1974. Lisa Philips Layton tinha vindo aos EUA de uma rica família de banqueiros na Alemanha. A maioria dos “comandantes” principais ao redor de Jones tinham um background rico e educado, com muitas conexões com os militares ou agências de inteligência. Eles eram pessoas que criariam as contas bancárias, as ações legais complexas e os registros financeiros que colocavam as pessoas sob controle do “Templo”.

 

Stoen era capaz de estabelecer contactos importantes para Jones como DA assistente em San Francisco. Jones mudou sua imagem para uma de um liberal. Ele tinha passado tempo estudando os métodos de pregação de “Fr. Divine” na Filadélfia, e tentou usa-los de forma manipuladora nas ruas de San Francisco. “Fr. Divine” dirigia uma operação religiosa e caritativa entre a comunidade negra e pobre da Filadélfia. Jones foi capaz de usar seus seguidores em uma eleição novamente. Desta vez, a do Prefeito Moscone. Moscone respondeu em 1976, colocando Jones a cargo da Comissão da Câmara da cidade. Além disso, muitos de seus seguidores chave receberam empregos no Departamento de Bem Estar da cidade e grande parte do recrutamento do Templo em San Francisco veio das fileiras destes despossuídos e desempregados. Jones foi apresentado a muitas pessoas liberais e radicais lá, e entreteve ou saudou pessoas como Roslyn Carter e Angela Davis.

 

O período em que Jones começou o Templo lá marcou o fim de uma importante década política. A eleição de Nixon tinha levado a morte da inteligência doméstica em contraposição aos movimentos pela paz, direitos civis e justiça social. Nomes como COINTELPRO, CHAOS, e OPERAÇÃO GARDEN PLOT, ou o PLANO DE HOUSTON fazia noticiários seguindo o despertar das revelações de Watergate. O Senador Ervin chamou os planos da Casa Branca contra os dissidentes de fascistas. Estas operações envolveram os mais altos níveis da inteligência civil e militar e todos os níveis das agências de polícia em uma tentativa de escala completa de desacreditar, interroper e destruir os movimentos que se disseminaram na década de 1960. Há indicações que estes planos, ou o humor que eles criaram, levaram aos assassinatos de Martin Luther King e Malcolm X, como inaceitáveis “Messias Negros”.

 

Um dos arquitetos do então governador Reagan, na Califórnia, foi o agora Advogado Geral Edwin Meese. Ele coordenou a “Operação Garden Plot” para a inteligência militar e todas as operações de polícia e inteligência em um período que foi infestado de violações aos direitos civis e constitucionais. Talvez você se recorde dos ataques da polícia ao Parque das Pessoas, o assassinato de muitos ativistas dos Panteras Negras, a infiltração do Movimento da Liberdade de Expressão a atividade anti guerra, e a experimentação em prisioneiros em Vacaville, ou o tiro dado em George Jackson. Meese mais tarde bravateou que esta atividade havia danificado ou destruído as pessoas que ele chamava de “revolucionárias”. Foi nesta situação que Jones veio a usurpar a liderança.

 

Depois de sua chegada em Ukiah, seus métodos eram visíveis para aqueles que tivessem tempo para investigar, Seus guardas armados usavam uniformes negros e botas de couro. Sua abordagem era uma de mentira e se despisse isto, então manipulação e ameaças. A lealdade à igreja dele incluia assinar folhas em branco de papel, mas tarde preenchidas com “confissões”, para propósitos de chantagem ou extorsão de fundos. Ainda que os membros que estavam sendo estorquidos possuissem pouco, ele tentava extrair deles tudo, de fundos pessoais a acordos de terras. As atividades ilegais eram regularmente relatadas durante este período, mas não eram investigadas ou resolvidas. Ele claramente tinha a cooperação da polícia local. Anos mais tarde, a evidência apareceu das acusações de solicitações sexuais, misteriosamente derrubadas.

 

Aqueles que tentavam sair eram evitados e censurados. A jornalista local Kathy Hunter escreveu na imprensa de Ukiah sobre “Sete Mortes Misteriosas” de membros do Templo que tinham discutido com Jones e tentaram sair. Jones abertamente indicou para outros membros que ele tinha arranjado para que eles morressem, ameaçando de um destino similar a outros que fossem desleais. Kathy Hunter mais tarde tentou visitar Jonestown, somente para ser drogada a força pelos guardas e deportada para Georgetown. Ela mais tarde acusou Mark Lane de ter se aproximado dela, falsamente se identificando como um repórter de Esquire, em vez de como advogado de Jim Jones. Ele levou a ela a acreditar que estava procurando informação sobre Jones para uma exposição na revista, e pediu para ver a evidência dela.

 

O padrão foi continuar em San Francisco. Além disso, Jones exigia que seus membros praticassem a misteriosa “Noite Branca”, um ritual de suicídio em massa que os protegeria de morrer nas mãos de seus inimigos. Embora o novo Templo não tivesse guardas ou cercas para restringir seus membros, poucos tinham outros lugares onde viver, e muitos tinham dado tudo o que possuiam a Jones. Eles se sentiam presos dentro desta comunidade que pregava amor, mas praticava o ódio.

 

Depois da exposição na imprensa e um artigo crítico na revista New West, Jones se tornou muito agitado e o número de treinos de suicídio aumentou. A queixas sobre maus tratos por membros atuais e aqueles que haviam abandonado o Templo começaram a aparecer na media e chegaram aos ouvidos de representantes do Congresso. Sam Houston, um velho amigo de Leo Ryan, foi até ele com perguntas sobre a morte prematura de seu filho, depois sua partida do Templo. Mais tarde, Timothy e Grace Stoen se qeixariam a Ryan sobre a custódia de seu jovem filho, que estava vivendo com Jones, e suplicavam que ele visitasse a comunidade. Contra o conselho de amigos e membros da equipe, Ryan decidiu levar uma equipe de jornalistas para a Guiana e procurar a verdade da situação. Alguns sentiam que a jornada de Ryan foi planejada e esperada, e usada como uma desculpa conveniente para estabelecer seu assassinato. Outros sentiam que esta inesperada violação do segredo ao redor de Jonestown criou o desencadear que levou ao assassinato em massa. Em um caso ou outro, isto marcou o início do fim para Ryan e Jones.

 

A este ponto, para mostrar seus poderes, Jones arranjou de receber um tiro no coração diante da congregação. Arrastado para uma sala dos fundos, aparentemente ferido e sangrando, ele retornou um momento mais tarde vivo e bem. Conquanto isto possa ter sido mais uma de suas farsas para reforçar a fé dos “crentes” isto também pode ter marcado o fim de Jim Jones. Por razões não reveladas, Jones tinha o costume de usar “dublês”. Isto é muto não usual para líderes religiosos, mas muito comum nas operações de inteligência.

 

Até mesmo a morte e a identificação de Jim foram peculiares. Ele aparentemente recebeu o tiro de uma outra pessoa no campo. Fotos de seu corpo não mostravam as tatuagens identificadoras em seu peito. O corpo e a face não estão claramente reconhecidos devido ao sangramento e a descoloração. Relatadamente o FBI examinou suas impressões digitais duas vezes, um gesto aparentemente fútil, já que esta é uma operação precisa. Uma rota mais lógica teria sido examinar os registros dentários. Vários pesquisadores familiarizados com o caso sentem que o corpo pode não ter sido de Jones. Até mesmo se uma pessoa no local era um dos “dublês”, não significa que Jones ainda esteja vivo. Ele pode ter sido morto em um ponto anterior.

 

O que era Jonestown?

 

Segundo uma história, Jones estava procurando um lugar na Terra que sobreviveria aos efeitos de uma guerra nuclear, confiando somente em um artigo da revista Esquire para esta seleção. A razão real de sua localização no Brasil, Califórnia, Guiana e outros lugares merece maior exame. Naquele ponto, Jones queria se estabelecer em Grenada, e ele convidou o então Primeiro Ministro Sir Eric Gairy para visitar o Templo em San francisco. Ele investiu duzentos mil dólares no Banco Nacional de Grenada para abrir o caminho, e aproximadamente 76 mil dólares ainda estavam lá depois do massacre.

 

Sua escolha final, a seção da Cadeia Montanhosa de Matthew na Guiana é interessante. Esta foi originalmente a localização da mina de bauxita e manganês da Union Carbide, e Jones usava a doca que eles deixaram para trás. Em um ponto inicial, este tinha sido um dos sete sítios possíveis de escolha, para a relocação dos judeus depois da Segunda Guerra Mundial. Os planos de habitar as selvas do interior da Guiana com trabalho barato remontam a 1919. Os recursos enterrados estão entre os mais ricos do mundo, e incluem manganês, diamantes, ouro, bauxita e urânio. Forbes Burnham, o Primeiro Ministro, tinha participado em um esquema de expatriar negros do Reino Unido para trabalharem na área. Como todas as tentativas semelhantes anteriores, esta falhou.

 

uma vez escolhido o local, este foi arrendado e trabalhado por um grupo selecionado de membros do Templo, em preparação para a chegada do corpo da igreja. O trabalho foi feito em cooperação com Burnham e a embaixada americana de lá. Mas se estes eram idealistas buscando uma vida melhor, sua chegada na “Utopia” teve um recebimento estranho. Apinhados em ônibus em San Francisco, eles tinham sido levados para a Flórida. De lá, aviões fretados da Pan American os levaram a Guiana. Quando eles chegaram no aeroporto, os negros foram retirados do avião, amarrados e amordaçados.O engano tinha finalmente sido despido de todo fingimento. Os negros eram tão controlados e isolados que os vizinhos mais próximos, a cinco milhas do local, não sabiam que eles existiam; não sabiam que negros viviam em Jonestown. Os únicos representantes vistos públicamente na Guiana eram brancos. A crianças guianesas também foram compradas.

 

Segundo relatos de sobreviventes, eles entraram em um virtual campo de trabalho escravo. Trabalhavam de 16 a 18 horas diariamente e eram forçados a viverem em quartos limitados e com um mínimo de ração; geralmente arroz, pão e algumas vezes carne rançosa. Mantidos em uma programação de exaustão física e mental, eles também eram forçados a ficar acordados a noite e ouvir as palestras de Jones. Ameaças e abusos se tornaram mais comuns. A equipe médica do campo, sob o comando do Dr. Lawrence Schacht, era conhecida por realizar dolorosas suturas sem anestesia. Eles administravam drogas e mantinham diariamente registros médicos. Infrações às regras ou deslealdade levavam a crescentes punições duras, inclusive uso forçado de drogas, isolamento sensorial em uma caixa subterrânea, tortura física, estupro sexual público e humilhação. Espancamentos e ofensas verbais eram lugar comum. Somente os guardas especiais eram tratados humanamente e se alimentavam decentemente. As pessoas com ferimentos severos eram embarcadas, mas nunca retornavam. Talvez o moto em Jonestown deva ter sido o mesmo de Auschwitz, desenvolvido pele homônimo de Larry Schacht, Dr. Hjalmar Schacht, o Ministro Nazista de Economia, “Arheit Macht Frei,” ou “O Trabalho Liberta.” Guiana até mesmo considerou colocar um museu do tipo de Auschwitz no campo, mas abandonou a idéia.

 

A este ponto, Jones tinha reunido uma riqueza incrível. A imprensa avalia que variasse de 26 milhões a 2 bilhões de dólares, inclusive contas de banco, investimentos no exterior e propriedades reais. As contas eram criadas mundialmente por membros chave, frequentemente em nome pessoal de certas pessoas do Templo. Muito deste dinheiro, listado depois do massacre, desapareceu misteriosamente. Era uma fortuna grande demais para ter vindo apenas da afiliação ao Templo. A curadoria criada pelo governo estabeleceu um total de dez milhões de dólares. De especial interesse eram as contas bancárias suiças abertas no Panamá, o dinheiro retirado do campo, e os extensos investimentos no Banco de Barclay. Outras fontes de renda incluiam a família de banqueiros alemães de Lisa Philips Layton, a mãe de Larry. Também, perto de 65 mil dólares de renda mensal foi afimado vir dos cheques de bem estar e segurança social de 199 membros, enviados aos seguidores do Templo e assinados por Jones. Além disso, há indicações que Blakey e outros membros estavam suplementando os fundos do Templo com o contrabando internacional de drogas e armas. Em um ponto,Charles Garry notou que Jones e sua comunidade “estavam literalmente sentados em uma mina de ouro”. Mapas de distribuição mineral da Guiana sugerem que ele estava certo.

 

Para compreender esta operação sinistra e bem financiada, devemos abandonar o mito de que esta era uma comunidade religiosa e estudar então a história que levou a sua formação. Jonestown foi um experimento, parte de um programa de trinta anos chamado MK-ULTRA, que foi o apelido dado pela CIA e a inteligência militar para experimentos em controle mental. Um estudo aprofundado do relatório de 1974 do Senador Ervin, “Direitos Individuais e o Papel do Governo na Modificação do Comportamento”, mostra que estas agências tinham certamente “populações alvo” em mente, para controle individual e em massa. Negros, mulheres, prisioneiros, idosos, jovens, presos das enfermarias psiquiátricas foram selecionados como “potencialmente violentos”. Houve planos na Califórnia no tempo para um Centro de Estudo e Redução da Violência, expandindo o trabalho horripilante do Dr. José Delgado, Drs. Mark e Ervin, e Dr. Jolly West, especialistas em implantação, psicocirurgia e tranquilizantes. As cobaias eram retiradas das populações alvo e colocadas em uma isolada base de mísseis na Califórnia. No mesmo período, Jones começou a mudar seus membros do Templo para Jonestown. Era a população exata selecionada para tais testes.

 

As meticulosas notas diárias e registros de drogas mantidos por Larry Schacht desapareceram, mas a evidência não. A história do MK-ULTRA e seus programas irmãos (MK-DELTA, ARTICHOKE, BLUEBIRD, etc.) registram uma combinação de drogas, misturas de drogas, eletrochoque e tortura como métodos de controle. Os resultados desejados variavam de amnésia temporária a amnésia permanente, confissões desinibidas, criação de segundas personalidades, assassinos programados e suicidas pré condicionados. Uma meta era a habilidade de controlar populações em massa, especialmente para campos de trabalho. O Dr. Delgado disse ao Congresso que ele esperava um futuro onde a tecnolgia controlaria os trabalhadores no campo e as tropas na guerra com sinais eletrônicos remotos. Ele achou difícil entender porque as pessoas se queixariam sobre eletrodos implantados em seus cérebros para faze-las mais “felizes e produtivas.”

 

No cenário de Jonestown, as tropas guianesas descobriram uma grande ocultação de drogas, bastante para drogar a inteira população de Georgetown, Guiana (acima de 200.000 pessoas) por mais de um ano. Segundo os sobreviventes, elas estavam sendo usadas regularmente para “controlar” uma população de apenas 1.100 pessoas. Uma maleta continha 11.000 doses de torazina, um perigoso tranquilizante. As drogas que eram usadas para testagem do MK-ULTRA foram encontradas em abundância, incluindo pentatol sódico [um soro da verdade], hidrato de cloral [um hipnótico], demerol, tálio [confunde o pensamento] e muitas outras. Schacht tinha suprimentos de haliopareael e largatil também, dois outros grandes tranquilizantes. A real descrição da vida em Jonestown é como um campo de concentração estreitamente governado, completo com experimentação médica e psiquiátrica. O stress e o isolamento das vítimas é típico de técnicas sofisticadas de lavagem cerebral. As drogas e torturas especiais acrescentam um adicional aspecto experimental ao horror. Isto explica mais claramente as etiquetas médicas nos corpos e porque elas foram removidas. Também sugere um motivo adicional para frustrar qualquer autópsia química, já que as drogas seriam enontradas no sistema dos mortos.

 

A história de Jonestown é de um experimento horripilante, não de uma sociedade religiosa utópica. Na véspera do massacre, Forbes Burnham foi relatadamente convertido na cristandade dos “novamente nascidos” por membros da Associação Cristã de Negócios do Evangelho Completo, incluindo Lionel Luckhoo, um advogado do Templo na Guiana. Este mesmo grupo, baseado na Califórnia, também relatadamente converteu o ditador guatemalteco Rios Montt antes de seus massacres lá e eles estavam em contacto com Jim Jones em Ukiah. Eles atualmente realizam as pregações do café da manhã na Casa Branca para Mr. Reagan. Com Ryan a caminho de Jonestown, o selo do sigilo estava quebrado. Em uma tentativa desesperada de testar seus métodos de condicionamento, a elite de Jonestown aparentemente tentou implementar uma simulação real do suicídio. Claramente, isto levou a uma revolta e a maioria das pessoas fugiu, inconscientes de que haviam pessoas esperando para pega-las.

 

Jonestowns Demais

 

O autor Don Freed, um associado de Mark Lane, disse que Martin Luther King, “se ele pudesse ver Johnstown reconheceria isto como o passo seguinte da agenda, e diria um, dois , três, mais Jonestowns.” Muito estranhamente, quase todo mapa da Guiana na maior imprensa localizou Jonestown em um lugar diferente depois das matanças. Um mapa até mesmo mostrou um segundo sítio em uma área chamada “Johnstown.” Talvez houvessem múliplos campos e foi mostrado a Leo Ryan aquele que eles esperavam que ele pudesse ver. Em qualquer caso, o modelo de Jonestown sobrevive, e campos similares, e seus projetos sinistros, aparecem em muitos lugares.

 

Dentro da própria Guiana, approximadamente a 25 milhas ao sul da Cadeia de Montanhas de Matthews, está uma comunidade chamada Hilltown, assim chamada em homenagem ao seu líder Rabbi Hill. Hill tem usado nomes como Abraham Israel e Rabbi Emmanuel Washington. Hilltown, criada ao mesmo tempo de Jonestown, após a partida de David Hill, que era conhecido em Cleveland, um fugitivo das côrtes americanas. Hill governa com mão de ferro 8.000 pessoas negras da Guiana e América que acreditam que são a “tribo perdida de Israel e os verdadeiros hebreus da profecia bíblica”. Usando tropas fortemente armadas, e “mercenários internos” para assegurar a eleião de Burnham, como o fizeram os membros de Jonestown, as pessoas de Hilltown foram permitidas limpar o sítio de Jonestown de sapatos e armas não usadas, ambos em curto suprimento na Guiana. Hill diz que seus seguidores alegremente se matariam ao seu comando, mas ele sobreviveria já que, diferente de Jones, ele está “no controle.”

 

Campos similares foram relatados ao mesmo tempo nas Filipinas. Talvez o exemplo mais conhecido seja o campo de tortura fascista no Chile, conhecido como Colonia Dignidad. Também um culto religioso construído ao redor de um único indivíduo, este veio da Alemanha para o Chile em 1961. Em ambos casos, o campo era o “experimento agrícola” deles . Fechado e protegido pela temida polícia chilena DINA, Colonia Dignidad serve como uma câmara de tortura para dissidentes políticos. Ás mostruosidades de Jonestown, eles tem acrescentado cães especialmente treinados para atacar os genitais humanos. As operações tem incluido a mão pesada do especialista em decaptação Michael Townley Welch, um agente americano da CIA, bem como relatadas visitas de criminosos nazistas como o Dr. Josef Mengele e Martin Bormann. Atualmente, um outro de tais campos existe em Pisagua, Chile.O membro do Templo Jeannie Mills, agora morta, relatou ter visto filmes reais de campos de tortura chilenos enquanto estava em Jonestown. A única fonte naquele tempo possível eram os próprios fascistas chilenos.

 

No período atual, Jonestown está sendo “repopulada” com 100.000 pessoas do Laos da tribo Hmong. Muitos deles plantam ópio para o dinheiro da CIA no sudeste asiático. Apenas 1.000 residem lá já sob um esquema projetado pelo sobrinho Ernest, de Billy Graham, e membros da Federação da Associação dos Ministros Evangélicos em Wheaton, Illinois (World Vision, World Medical Relief, Samaritan’s Purse, e Carl McIntyre’s International Council of Christian Churches). Planos similares foram antevistos para os corpos de paz, inclusive mudar negros da América para cidades internas da Jamaica e outros países de Terceiro Mundo. E a World Relief tentou mudar a população da ilha de Dominica para Jonestown. É somente uma questão de tempo antes que outra Jonestown seja exposta, talvez novamente levando a uma matança maciça.

 

As ligações com as Agências de Inteligência dos EUA

 

Nossa história tem marcado as ligações com a inteligência americana, desde a amizade de longo tempo de Jones com o associado da CIA, Dan Mitrione. Mas os laços são muito mais diretos quando é revelada a imagem completa da operação. Para começar, a chegada ao poder de Forbes Burnham na Guiana é repleta da clara indicação de um golpe de Estado da CIA para conter o independente e problemático líder Cheddi Jagan. Além disso, a imprensa e outras evidências indicaram a presença de um agente da CIA no cenário ao tempo do massacre. Este homem, Richard Dwyer, estava trabalhando como chefe substituto da Missão na embaixada americana da Guiana. Identificado no”Quem é quem” da CIA, ele tem estado envolvido desde 1959, e mais tarde estava estacionado na Martinica. Presente no local do campo e na pista aérea, suas narrativas foram utilizadas pelo Departamento de Estado para confirmar a morte de Leo Ryan. No massacre, Jones disse, “Tirem Dwyer daqui” exatamente antes das matanças começarem.

 

Outros funcionários da embaixada, que sabiam bem da situação em Jonestown, estavam também ligados ao trabalho da inteligência. O embaixador americano John Burke, que serviu na CIA com Dwyer na Tailândia, foi um agente de embaixda descrito por Philip Agee como trabalhando para a CIA desde 1963. Um indicado de Reagan para a CIA, ele ainda trabalha para agência, geralmente em missões do Departamento de Estado. Burke tentou parar a investigação de Ryan. Também na embaixada estava o chefe consular Richard McCoy, descrito como “intimo de Jones,” que trabalhava para a inteligência militar e era “um empréstimo” do Departamento de Defesa, ao tempo do massacre. Segundo uma fonte padrão, a embaixada americana em Georgetown abrigava a estação da CIA em Georgetown. Agora parece que a maioria e talvez todos os funcionários da embaixada eram agentes da CIA operando sob acobertamento do Departamento de Estado”… Dan Webber, que foi enviado ao local do massacre no dia seguinte, também era indicado pela CIA. Não somente o Departamento de Estado escondeu todos os relatos de violações em Jonestown do congressista Leo Ryan, mas a embaixada regularmente forneceu a Jones cópias de todos inquéritos do Congresso sob o Ato de Liberdade de Informação.

 

Ryan tinha desafiado anteriormente as operações no exterior da agência, como membro do Comitê da Câmara responsável pela supervisão da inteligência. Ele era autor da controvertida Emenda Hughes-Ryan que teria exigido a revelação da CIA diante dos comitês do Congresso de todas as operações encobertas planejadas. A Emenda foi derrotada pouco depois de sua morte.

 

A inteligência americana tem uma história sórdida de relações cooperativas com criminosos de guerra nazistas e com o fascismo internacional. A luz disso, considere os laços curiosos de membros da família dos principais “tenentes” de Jim Jones. A família Layton é um exemplo. Dr. Laurence Layton era Chefe da Pesquisa Química e Biológica de Guerra nas bases de teste Dugway no Utah, por muito anos, e mais tarde trabalhou como Diretor de Desenvolvimento de Mísseis e Satélites na Divisão de Propelentes da Marinha, Indian Head, Maryland. Sua esposa, Lisa, tinha vindo de uma rica família alemã. O pai dela, Hugo, tinha representado a I.G. Farben como um corretor de fundos públicos. As histórias dela sobre ocultar seu passado judaico de seus filhos pela maior parte de sua vida, e a fuga de seus pais de um trem que se dirigia a um campo de concentração nazista parecem rasas, como também assim parecem as crenças religiosas Quacker do Dr. Layton. A mesma família enviava dinheiro regularmente para Jonestown. A filha deles, Debbie, se encontrou e se casou com George Philip Blakey em uma escla particular exclusiva na Inglaterra. Os pais de Blakey tinham uma grande quantidade de ações na indústria farmacêutica Solvay, uma divisão do cartel nazista I.G. Farben.Ele também contribuiu financeiramente.

 

O pai de Terri Buford, Almirante Charles T. Buford, trabalhava com a inteligência naval. Além disso, Blakey estava relatadamente dirigindo os mercenários de Jonestown para as forças UNITA, apoiadas pela CIA em Angola. O pai de Maria Katsaris era um ministro da igreja ortodoxa grega, um conduto comum dos fundos da CIA e Maria afirmava que tinha provas que ele era da CIA. Ela recebeu um tiro na cabeça e sua morte foi dada como suicídio, mas em algum momento Charles Beikman foi acusado de a ter matado. Nos EUA, os sobreviventes “oficiais” foram representados pelo advogado Joseph Blatchford que tinha sido indicado antes deste tempo em um escândalo envolvendo a infiltração da CIA nos Corpos de Paz. Quase todo mundo que você olha em Jonestown, a inteligência americana e o fascismo levantam suas horríveis cabeças.

 

A ligação das agências de inteligência com cultos não é nova. Umn exemplo simples mas revelador é o da Igreja da Unificação, ligada a CIA coreana (i.e., a CIA americana na Coréia), e a rede fascista internacional conhecida como Liga Anti Comunista Mundial (WACL). Os seguidores do Reverendo Moon hospedaram a primeira conferência internacional da WACL. O que diferenciou Jonestown, foi o nível de controle e o envolvimento abertamente sinistro. Era imperativo que eles encobrissem seus rastros.

 

Maria Katsaris enviou Michael Prokes, Tim Carter, e um outro guarda para fora no último minuto, com quinhentos mil dólares em dinheiro, em uma maleta e instrução para um ponto de entrega. A anotação dela sugere que os fundos eram destinados a União Soviética. Prokes mais tarde se suicidou em San Francisco durante uma conferência de imprensa, onde ele afirmava ser um informante do FBI. Outros relatadamente se encontraram com agentes da KGB e planejaram se mudar para a Rússia. Esta desinformação era parte de uma “nódoa vermelha” para ser usada se eles tivessem que abandonar a operação. O governo soviético não tinha interese no dinheiro e muito menos em Jonestown. O dinheiro foi recuperado pelo governo da Guiana.

 

Seus fundos ocultos podem incluir mais ligações com a inteligência. Uma conta misteriosa no Panamá, totalizando aproximadamente cinco milhões de dólares no nome da “Associacion Pro Religiosa do San Pedro, S.A.” foi localizada. Esta associação religiosa desconhecida era provavelmente uma das 12 companhias falsas criadas pelo Arcebispo Paul Marcinkus para ocultar investimentos ilegais dos fundos do Vaticano, por meio do escândalo do Banco Ambrosiano. Uns poucos dias depois que a história vazou sobre as contas, o Presidente do Panamá e a maioria do governo resignaram, Roberto Calvi do Banco Ambrosiano foi assassinado, e a narrativa de Jonestown desapareceu do exame público e dos registros da côrte.

 

As ordens diretas para encobrir as causas da morte vieram do alto nível do governo americano. Zbigniew Brezezinsky delegou a Robert Pastor, e ele por sua vez ordenou ao Tenente Coronel Gordon Sumner para despir as identidades dos corpos. Pastor agora é diretor substituto da CIA. Alguém somente pode imaginar quantos outros ligados à operação Jonestown foram similarmente promovidos.

 

A estranha Conexão com o Assassinato de Martin Luther King

 

Um dos problemas persistentes em pesquisar Jonestown é que isto parece levar a muitas outras atividades criminosas, cada uma delas com sua própria história complexa e conjunto de personagens. Talvez a mais perturbadora delas é a ligação que aparece repetidamente entre os personagens da história de Jonestown e as pessoas chaves envolvidas no assassinato e na investigação de Martin Luther King.

 

A primeira pista é a ligação que aparece nas histórias pessoais dos membros da equipe de investigação de Ryan que foram seletiva e deliberadamente assassinados em Port Kaituma. Don Harris, um repórter veterano da NBC, tinha sido o único noticiarista da rede no cenário, para cobrir as atividades de Martin Luther King em Memphis no tempo do assassinato de King. Ele tinha entrevistado testemunhas chave no local. Sua cobertura dos motins urbanos que se seguiram, deram a ele um prêmio Emmy. Gregory Robinson, um jornalista destemido do San Francisco Examiner, tinha fotografado os mesmos motins em Washington, D.C. Quando ele foi abordado para cópias dos filmes por funcionários da justiça, ele jogou os negativos no Rio Potomac.

 

O papel de Mark Lane, que serviu como advogado de Jim Jones, é ain da mais claramente interligado. Lane tinha sido o co-autor de um livro com Dick Gregory, afirmando a cumplicidade do FBI no assassinato de King. Ele foi contratado como advogado de James Earl Ray, o assassino acusado, quando Ray testemunhou perante o Comitê Seleto da Câmara relacionado a Assassinatos sobre King. Antes de seu testemunho, Ray estava envolvido em um complô de fuga não comum da Prisão Estadual de Brushy Mountain. O prisioneiro que havia ajudado o engenheiro a escapar foi mais tarde inexplicavelmente oferecido a liberdade condicional pelos membros do escritório do governador do Tennessee. Estes funcionários, e o próprio governador Blanton, estavam para vir a um profundo exame público e enfrentavam acusações legais a respeito de subornos para arrumar precoces perdões ilegais para os prisioneiros.

 

Uma das pessoas vivendo em Jonestown era o ex agente do FBI Wesley Swearington, que ao menos publicamente condenou as operações COINTELPRO e outros abusos, baseado em documentos classificados roubados, no local de Jonestown. Lane tinha relatadamente se encontrado com ele lá, ao menos um ano antes do massacre. Terri Buford disse que os documentos eram passados para Charles Garry. Lane usou a informação de Swearingen em sua tese sobre o FBI e o assassinato de King. Swearingen mais tarde serviu como testemunha chave nos processos legais contra o Departamento de Justiça movidos pelo Partido Sociaalista dos Trabalhadores. Quando Larry Flynt, o publicador exibicionista da revista Hustler, ofereceu um a recompensa de um milhão de dólares que levasse à captura e condenação dos assassinos de John F. Kennedy, o número de longa distância listado para coletar informação estava sendo respondido por Mark Lane e Wesley Swearingen.

 

Com a ajuda de funcionários no Tennessee, o escritório do Governador Blanton, Lane gerenciou para obter a custódia legal de uma mulher que havia sido encarcerada no sistema psiquiátrico do Tennessee por aproximadamente oito anos. Esta mulher, Grace Walden Stephens, tinha sido uma testemunha do assassinato de King. Ela naquele tempo estava vivendo em Memphis em uma pensão perto do hotel onde Martin Luther King foi baleado. A versão oficial dos eventos era que Ray tinha localizado o banheiro comum da pensão , e afirmado que usou um rifle para matar King daquela janela. Grace Stephens de fato viu um homem correr do banheiro, passar pela porta dela e descer a rua. Um rifle, mais tarde ligado circunstancialmente a James Earl Ray, foi achado dentro de um pacote na base das escadas da pensão, e identificado como a arma do assassino. Mas Grace, que viu claramente o homem, recusou-se a identifica-lo como Ray, quando lhe foi mostradas as fotografias pelo FBI. O testemunho dela nunca apareceu no julgamento. O FBI confiou, ao invés, na palavra do marido dela, Charles Stephens, que estava embriagado e inconsciente no tempo do incidente. A persistência dela em dizer que não era James Earl Ray, foi usada nas audiências de competência mental como evidência contra ela e ela desapareceu no sistema psiquiátrico.

 

Grace Walden Stephens tomou residência em Memphis com Lane, seu curador, e Terri Buford, um membro chave do Templo que havia retornado aos EUA antes das matanças, para viver com Lane. Enquanto arranjava para ela testemunhar diante do Comitê Seleto em benefício de Ray, Lane e Buford estavam tramando um outro destino para Grace Stephens. Notas de Buford para Jones, encontradas depois dos assassinatos, discutiam arranjos com Lane para mandar Grace Stephens para Jonestown. O problema que permanecia era a falta de passaporte, mas Buford sugeriu conseguir um no mercado negro ou usar o de uma ex membro do Templo, Maxine Swaney. Swaney, morta já a aproximadmente 2 anos e meio, depois da partida do campo de Ukiah, não estava em posição de argumentar e Jones aparentemente manteve o passaporte dela com ele. Se Grace chegou a Jonestown, não está claro.

 

Lane foi também forçado a deixar Ray no meio do testemunho ao Comitê Seleto quando ele recebeu a notícia que Ryan estava planejando visitar Jonestown. Lane tinha tentado desencorajar a viagem antes, em uma carta vagamente ameaçadora. Agora ele se apressava para se assegurar que chegava para receber o grupo. Na cena, ele falhou em avisar Ryan e os outros, sabendo que os sanduiches e a comida local podiam estar drogados, mas ele próprio se refreou de comer. Mais tarde, afirmando que ele e Charles Garry escreveriam a história do “suicídio revolucionário”, Lane obteve permissão para deixar as peças de roupa de baixo para marcar seu caminho de volta a Georgetown. Se verdadeiro, parece um método improvável se eles tivessem qualquer medo de perseguição. Eles haviam ouvido tiros e gritos vindos do campo. Lane relatadamente estava bem ciente da drogagem forçada e das simulações de suicídio em Jonestown, antes da chegada de Ryan.

 

Uma outra importante figura no assassinato de Martin Luther King foi a mãe dele, Alberta. Umas poucas semanas depois do primeiro anúncio público de Coretta Scott King, que ela acreditava que a morte de seu marido era parte de uma conspiração, Mrs. Alberta King foi brutalmente baleada até a morte em Atlanta, enquanto frequentava os serviços da igreja. Qualquer um que tivesse visto os ferimentos de King pode ter sido uma testemunha adversa da versão oficial, desde que os ângulos dos ferimentos não combinam com a direção balística de um tiro vindo da pensão. A morte dela também coincidiu estreitamente com as reabertura da revisão da côrte de justiça do Tennessee da condenação de Ray baseado em uma declaração de culpa, exigida pela decisão do 6o. Circuito. O juiz do caso relatadamente se recusou a permitir testemunhas de além de um raio de 100 milhas da sala da côrte.

 

O homem condenado por matar a mãe de King foi Marcus Wayne Chenault. Seu comportamento emocional depois do assassinato não era comum. Rindo forçadamente, ele perguntou se ele tinha atingido alguém. Ele relatadamente tinha sido posto para fora da igreja por pessoas que ele conhecia em Ohio. Enquanto na Universidade Estadual de Ohio, ele fez parte de um grupo conhecido como “the Troop,” dirigido por um ministro negro e colecionador de armas que usava o nome de Rabbi Emmanuel Israel. Este homem, descrito na imprensa como o mentor de Chenault, deixou a área imediatamente depois do tiro. No mesmo período, Rabbi Hill viajou de Ohio para a Guiana e criou Hilltown, usando apelidos similares, e pregando a mesma mensagem de uma “elite hebraica negra”. Chenault confidenciou aos líders do SCLC que ele era um dos muitos assassinos que estavam trabalhando para assassinar uma longa lista da liderança negra. Os nomes que ele disse estarem nesta lista coincidiam com similares “listas de morte” distribuídas pela Ku Klux Klan e ligadas às operações COINTELPRO, na década de 1960.

 

As verdadeiras identidades e backgrounds de Marcus Wayne Chenault e Rabbi Hill podem nunca serem descobertas. Mas uma coisa é certa: Martin Luther King nunca teria tolerado as pregações de Jim Jones, se ele tivesse vivido para ouvi-las.

 

Condequências

 

Diante de tal horror, pode parecer uma pequena compensação saber que uma parte da verdade tem sido desenterrada. Mas para as famílias e alguns sobreviventes, a verdade, contudo dolorosa, é o único caminho a ser aliviado da carga de suas dúvidas. É difícil acreditar que o Presidente Carter estava nos chamando para não reagir. A idéia de que uma grande comunidade de pessoas negras não poderia permanecer e ser envenenada por sugestão de Jim Jones, mas permitiria que suas crianças morresem primeiro, é uma mentira monstruosa, e um insulto racista. Agora sabemos que a descrição mais direta de Jonestown é que este foi um plano genocida. Um diretor do Templo, Joyce Shaw, descreveu o massacre de Jonestown como, “algum tipo de horríveis experimentos do governo, ou algum tipo de doentia coisa racial, um plano como este dos alemães para exterminar os negros”. Se você se recusar a olhar adiante para este evento de pesadelo, outras Jonestowns virão. Eles se mudarão da Guiana para os nossos quintais.

 

O conjunto de personagens agora está morto ou inativo. Os membros chave da guarda armada receberam ordens de irem a bordo do barco do Templo, o Cudjoe – na hora do massacre eles estavam em uma compra de suprimentos em Trinidad. George Phillip Blakey telefonou para seu sogro, Dr. Lawrence Layton, do Panamá, depois do evento. Ao menos dez membros do Templo permaneceram no barco e criaram uma nova comunidade em Trinidad, enquanto Nigel Slingger, um homem de negócios e seguros de Grenada para Jonestown, consertava o barco de 400 toneladas. Então Charles Touchette, Paul McCann, Stephan Jones, e George Blakey criaram uma “casa aberta” em Grenada com os outros. McCann falou sobre começar uma companhia marítima para “financiar o trabalho continuado do Templo original”.

 

Este “trabalho” pode ter incluído as operações misteriosas do hospital mental de Grenada que enganaram a segurança do governo ao prometer cuidado médico gratuito. O hospital era dirigido por Sir Geoffrey Bourne, Chanceler da Escola Médica da Universidade St. George, que também tinha na equipe o filho dele Dr. Peter Bourne. A história de seu filho inclui experimentos psicológicos e USAID no Vietnã, as clínicas de metadona nos EUA, e um escândalo de drogas na Casa Branca de Carter. O hospital mental foi a única estrutura bombardeada durante a invasão americana de Grenada em 1983. Isto foi parte de um plano para recolocar no poder Sir Eric Gairy. Haveriam outros experimentos em andamento no local?

 

Além disso, os assassinos de Leo Ryan e outros em Port Kaituma nunca foram completamente responsabilizados. O julgamento de Larry Layton foi mau cuidado pela côrte guianesa e também pelo sistema americano. Nenhuma audiência adequada de evidências aconteceu, seja no julgamento, seja nas revisões do congresso. Os matadores de Jonestown, assassinos e mercenários treinados, não estavam no julgamento. Eles podem estar trabalhando na África ou na América Central. A participação deles em Jonestown pode ser usada como uma “explicação” de seu envolvimento nos útimos assassinatos aqui, tal como o caso do ataque a uma escola infantil em Los Angeles. Eles devem ser nomeados e encontrados.

 

O dinheiro por trás de Jonestown nunca foi completamente examinado ou recuperado. A curadoria da côrte somente coletou uma fração. O montante foi para pagar as operações militares e os custos de sepultamento. As famílias dos mortos receberam porções mínimas. Alguns entraram com processos, mas sem sucesso, para aprender mais sob as circunstâncias das mortes e quem foi o responsável. Joe Holsinger, um amigo íntimo e assistente de Leo Ryan, estudou o caso por dois anos e chegou as mesmas conclusões enervantes: estas pessoas foram assassinadas, havia evidência de um experimento de controle mental em massa e que altos níveis da inteligência civil e militar estavam envolvidos. Ele trabalhou com membros da família de Ryan para provar a corrupção e a injustiça, mas eles não podiam sustentar os custos imensos da côrte e da preparação do caso. O processo deles, bem como um similar trazido por ex membros e famílias das vítimas, tinham sido derrubados por falta de fundos.

 

As operações internacionais da World Vision e dos grupos evangélicos relacionados continuam descaradamente. O representante de World Vision, John W. Hinckley, Sr. estava a caminho de um projeto hídrico guatemalteco, dirigido pela organização, no dia que seu filho atirou no Presidente Reagan. Um dublê misterioso de Hinckley, Jr., um homem chamado Richardson, seguiu o caminho de Hinckley de Colorado a Connecticut, e até mesmo escreveu cartas de amor para Jody Foster. Richardson era um seguidor do Conselho Internacional das Igrejas Cristãs de Carl McIntyre, e frequentou a Escola Bíblica na Flórida. Ele foi preso pouco depois da tentativa de assassinato pela Autoridade Portuária de New York com uma arma, e declarou que havia tentado matar Reagan.

 

Um outro funcionártio da World Vision , Mark David Chapman, trabalhou no campo de refugiados haitianos deles em Ft. Chaffee, Arkansas. Ele mais tarde conquistou a infâmia como assassino de John Lennon na cidade de New York. A World Vision trabalha com refugiados mundialmente. Na fronteira de Honduras, eles estão presentes nos campos usados pela CIA americana para recrutar mercenários contra a Nicarágua. Eles estavam em Sabra e Shatilla, os campos no Líbano, onde a Falange fascista massacrou os palestinos. Seus representantes nos campos de refugiados cubanos na costa leste incluiram membros da operação da Baía dos Porcos, os mercenários financiados pela CIA de Omega 7 e Alpha 66. Será que eles estão sendo usados mundialmente como um acobertamento mundial para o recrutamento e treinamento desets assassinos? Eles estão, como já mencionamos anteriormente, trabalhando para repopular Jonestown com pessoas do Laos que serviram como mercenários para a nossa CIA.

 

O silêncio diante destes assassinos é a pior resposta possível. O sinal acima dos mortos de Jonestown tem escrito, “Aqueles que não se lembram do passado estão condenados a repetir isto”. O genocídio virá para casa na América. Quantos gastam seu tempo estudando os irrefletidos assassinatos de crianças na comunidade negra de Atlanta ou fizeram as perguntas necessárias sobre as discrepâncias na condenação de Wayne Williams? Nós reconheceríamos um genocídio planejado se isto acontecesse sob um subterfúgio similar?

 

A filha de Leo Ryan, Shannon, hoje vive entre os membros de um outro culto, na nova cidade de Rajneeshpuram no Arizona. Ela foi citada na imprensa, durante a recente controvérsia sobre um recrutamento nacional para trazer pessoas sem teto para a comunidade, dizendo que ela não acreditava que isto possa terminar como Jonestown, já que o líder deles não lhes pede que cometam suicídio. “Se ele me pedisse, eu o faria”, disse ela. Os recrutas sem teto que tem deixado desde então, estão processando na côrte por causa das injeções suspeitas e desnecessárias dadas a eles pelo médico da comunidade, um líquido que era servido a eles diariamente em jarras sem marcas que muitos acreditam que não era simplesmente “cerveja”. Um homem no processo afirma que foi drogado e desorientado por dias depois da primeira injeção,

 

As últimas vítimas do controle mental em Jonestown são o povo americano. Se deixarmos de olhar além das imagens construídas nos apresentadas pela televisão e a imprensa. então a nossa consciência é manipulada, bem como o foram as das vítimas de Jonestown. Diante de uma aniquilação nuclear, podemos ver o atual militarismo das políticas de Reagan, e o próprio treinamento militar, como o real “culto do suicídio em massa”. Se a discrepância entre a verdade de Jonestown e a versão oficial pode ser tão grande, que outras mentiras nos tem sido contadas sobre outros eventos maiores?

 

A história é preciosa. Em uma democracia, o conhecimento deve estar acessível para o consentimento informado poder funcionar. Ocultar ou destorcer a história por trás da “segurança nacional” deixa o público como inimigo final do governo. O processo democrático não pode operar sobre a “necessidade de conhecer”. Caso contrário, vivemos no mundo previsto pelas projeções de Orwell em “1984″ e devemos ouvir os avisos dele que aqueles que controlam o passado, controlam o futuro.

 

A tragédia real de Jonestown não é apenas que ela aconteceu, mas que tão poucos escolheram se perguntar porque e como, e então tão poucos encontraram os fatos por trás da história bizarra usada para explicar a morte de 900 pessoas, e que tantos continuarão a serem cegos para a realidade sombria de nossas agências de inteligência. Em uma longa corrida, a verdade aparecerá. Somente a nossa cumplicidade na mentira continua a desonrar os mortos.

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Publicado em 02/25/2011, em Diversos e marcado como , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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